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  • Foto do escritorIris Olhar é Transformativo

O século XXI e 2021: um chamado para negócios realmente inovadores

Atualizado: 4 de jan. de 2021


Não sei se você tem essa noção, mas estamos começando o segundo ano dos anos 20 do século XXI. Fiquei surpreso ao perceber isso. Parece que foi ontem e, ao mesmo tempo, muito tempo atrás, que estávamos comemorando a virada do milênio. E, agora, 21% de um século inteiro já se foi! Acredita?!


Século XXI: o que fizemos até aqui?


Como a gente não tem costume de fazer essa retrospectiva de século, aqui vai uma tentativa: em 2000, a internet banda-larga chegava ao Brasil, em 2007, o primeiro iPhone estava sendo lançado no mundo, em 2012, começou a rede 4G e, entre isso e os dias de hoje, de repente, ficou super normal pedir comida por aplicativo e andar no carro de desconhecidos pela cidade. Quando foi que isso começou mesmo?


Eu não sei. De repente. Parece que não tivemos muito tempo pra perceber.


Afinal, com tantas inteligências artificiais, realidades aumentadas e virtuais, impressoras 3D e indústrias 4.0, não poderíamos nos dar mesmo o luxo de parar. Ou era isso o que achávamos até 2020.

Léo Ramos Chaves

O que esperar de 2021 e do século XXI?


É comum que, ao pensarmos em futuro, olhemos para as empresas que usualmente consideramos como visionárias. Elas nos inspiram, apontam novas ambições, novas tecnologias. Elas frequentemente mostram, na nossa cultura, o que de mais elevado poderíamos sonhar como espécie. Isso não é pouca coisa.


Será que chegaremos a Marte? Será que a inteligência artificial se tornará consciente?


Eu não faço a mínima ideia. Desculpe decepcioná-lo. Esse texto tem a intenção de considerar uma visão diferente do futuro e do ser visionário.


Penso que a tecnologia mais avançada que poderíamos criar já está criada. Sempre disponível e, ironicamente, em falta atualmente: o uso sábio da nossa inteligência para a construção de mundos possíveis.

Fictional Reality of Consciousness | Sergio Arcos

É a forma como enxergamos o mundo que determina a nossa atuação nele. E, se analisarmos a nossa atuação no mundo nas últimas décadas, vamos ver que a nossa visão de mundo dominante está bem distante das leis naturais da vida. Estamos destruindo milhões de formas de vida no planeta e deixando-o cada vez mais inabitável.


Assim, as empresas realmente visionárias deste século não serão mais aquelas que vão construir grandes tecnologias. É nisso que já estamos acreditando há décadas e é isso que nos trouxe até aqui.


As empresas realmente visionárias deste século serão aquelas que vão saber construir caminhos para um futuro viável na Terra.


A questão não é a tecnologia. Ela vem nos ajudando grandiosamente - ainda mais em tempos de pandemia. Acho super benéfico que possamos nos desenvolver tecnologicamente e inovar. O fato é que nossas inovações podem contribuir ou prejudicar, a partir da nossa motivação para inovação e visão de mundo. A partir do uso sábio (ou não) da nossa inteligência. Esse é o ponto.


A questão toda é: pra que estamos inovando?


O que eu normalmente vejo acontecendo no campo da inovação são empresas que buscam encontrar algum tipo de dor ou demanda reprimida e, com muito trabalho, conseguem desenvolver uma solução que gera valor para um segmento específico de pessoas.


Quando essa solução se prova real e as pessoas estão dispostas a pagar por aquilo, o negócio cresce. E a empresa pode então desfrutar daquela “mina de ouro” por algum tempo - até a situação se transformar. É para esse tipo de descoberta que praticamente todas as empresas no mundo estão olhando e mirando. Essa é a motivação.


Mas 2020 nos ensinou uma lição, simples e profunda: nossas ideias e buscas individuais não serão mais suficientes.


Este ano nos deixou clara a lição de que estamos todos conectados e que, como todo ser vivo, nossa vida tem condições e limitações claras para se manter por aqui. Temos leis a obedecer e não vamos conseguir escapar delas mesmo que queiramos ignorá-las. Portanto, se for somente com essa motivação individual que formos continuar inovando, alguma hora, vamos dar com a cara num grande muro chamado limite natural da vida.


O motivo disso acontecer não é muito misterioso. Quando todos focamos apenas num segmento de clientes e inovamos com a intenção única de crescer, ficamos cegos para todas as outras consequências que a nossa atuação causa no sistema.


Causamos sofrimentos de todos os tipos sem nem mesmo perceber. Destruímos solos, rios, mares, perpetuamos violências estruturais, favorecemos o burn-out, a depressão, a ansiedade, etc. Basicamente, quando não atuamos de acordo com o bem-estar do todo, funcionamos como células cancerígenas em um organismo. Você provavelmente já sabe disso. Não é uma novidade.


Não se trata mais de nos preocuparmos com o meio-ambiente. Essa não é mais uma causa ambientalista. Se trata da gente ver que a forma como trabalhamos gera dor e sofrimento em todos os lados, inclusive para nós mesmos.


Mas não temos espaço suficiente para lidar com essa informação dentro de nós e do nosso mundo, que parece já corrido e complicado o suficiente. Por fim, parece que não há outra possibilidade, e acabamos por decidir somente ignorar essa realidade.

Hot Off The Press - Collage | Joe Webb

Assim, acabamos perpetuando o status quo - mesmo que o nosso status quo seja o de uma suposta nova solução a ser revelada pela inovação que estamos buscando desenvolver na nossa garagem.


Mas será que é só com essa motivação que podemos inovar? Será que é esse o sonho mais elevado que conseguimos ter? Sonhos individuais? Concorrendo uns com os outros a favor de resultados próprios? Será mesmo que essa é a melhor estratégia que temos para aplicar toda a inteligência criativa da humanidade presente nos negócios em tempos tão turbulentos? Será que essa é a melhor forma de caminharmos em direção a um futuro viável?


Basta! Queremos negócios realmente visionários no século XXI


Um negócio realmente visionário e inovador no século XXI entende que o papel dos negócios nesse século mudou. Entende que não podemos mais seguir as cartilhas que aprendemos sem nos questionar para onde elas nos levam.


Está ficando cada vez mais claro que o lucro sozinho não dá mais conta de ser norte, a realidade é muito mais complexa do que um número no final de uma planilha. Que não basta mais somente a gente querer inovar sem saber para onde estamos indo. Que não adianta mais a gente querer impactar menos a natureza como se isso fosse suficiente. Tudo isso pode ajudar e ter seu valor, mas não serve mais como direcionador.


Precisamos é de uma visão maior, que nos oriente para, através dos negócios, atuarmos melhor como força transformadora de realidades, que já somos. É a partir dessa motivação que surge a Iris.


Um negócio visionário no século XXI é um negócio generativo

Windows to the Soul | Edouard Janssens

Para a Iris, ser um negócio visionário hoje passa por ser um negócio generativo. Do jeito como estamos entendendo, isso significa dizer que: por causa da atuação principal do negócio, conforme o tempo passa, o mundo tende a se tornar um lugar melhor para todos.

Esse é um entendimento importante e, por isso, vamos analisá-lo por partes:


“por causa da atuação principal do negócio”: conforme a consciência sobre a importância da sustentabilidade foi crescendo, foi-se percebendo cada vez mais a necessidade de se mitigar impactos negativos ao mundo vivo. Embora esse seja um movimento importante, vemos que propiciou que as empresas adotassem muitas políticas e ações compensatórias. São casos em que a empresa causa muito sofrimento e, para compensá-lo, apesar de sua atuação negativa, faz também ações positivas. Negócios generativos se diferenciam dessa prática pois trazem o impacto positivo para o centro de sua atuação, ou seja, trazem isso como consequência natural de seu próprio funcionamento.


“conforme o tempo passa”: normalmente, temos uma visão limitada dos impactos que nossas ações têm. Grande parte das empresas pensa nas consequências das ações no trimestre atual e, talvez, no ano que vem. Em que momento pensamos no impacto que a ação da nossa organização hoje tem daqui a 100 anos? 500 anos? Negócios generativos são capazes de considerar seus impactos num período de tempo maior. Isso é importante porque é fundamental para que possamos tomar decisões com impacto positivo sistêmico, ou seja, que impacte positivamente a todos.


“o mundo tende a se tornar um lugar melhor para todos”: esse é também um entendimento fundamental porque não é mais suficiente que os negócios gerem valor para um segmento de cliente apenas, enquanto destrói valor de forma sistêmica. Quando inovamos dessa forma, a geração de valor é apenas ilusória. Destruímos o valor não-monetário presente na vida, como as árvores, a qualidade do ar e da água, para gerar um produto ou serviço para alguém que só vai poder desfrutar daquilo se pertencer a um grupo humano muito específico. Quando fazemos isso, o mundo tende a ficar um lugar com menos bem-estar para todos, humanos e não-humanos. Negócios generativos continuam trabalhando com grupos específicos de pessoas, mas, conforme a sua atuação acontece, geram benefícios em todas as direções, não somente para quem sustenta financeiramente a sua atuação.


Sabemos que não estamos condenados!

Por fim, temos uma grande boa notícia: sabemos que não estamos condenados. O futuro está aberto. Fomos nós que, em algum momento da história, decidimos que os negócios como são feitos hoje seriam a melhor forma de operarmos a nossa convivência nesse planeta. E talvez fosse o melhor que pudéssemos ter imaginado na época.


Mas, quando vemos que essa visão usual de funcionamento já não está mais dando conta dos nossos desafios atuais, temos também a confiança de que podemos construí-la de forma diferente, a partir de outros entendimentos e visões de mundo, mais próximos da realidade do mundo vivo, da qual fazemos parte.


Como somos nós quem sustentamos e criamos, momento a momento, o sistema e como os negócios funcionam, cada um de nós tem um papel fundamental nesse caminho de construção de um futuro viável.

KangHee Kim

Cada um de nós é importante e podemos começar exatamente onde estivermos. Mesmo que o máximo que consigamos fazer nesse momento seja simplesmente manter o interesse nessa possibilidade, isso já é algo extraordinário.


Todas as mudanças surgem a partir de um interesse coletivo numa possibilidade. Com o tempo, os caminhos vão se abrindo. Os encontros vão acontecendo. E podemos ir caminhando juntos.


Essa não é mais uma sprint de trabalho. É mais como uma maratona. Precisamos nos preparar.


Que 2021 seja um ano de ampliação de olhar para todos nós.


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